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O salto genético que transformou o novo coronavírus em um especialista em infectar humanos

Uma adapta??o bem-sucedida do SARS-CoV-2 é responsável pela atual pandemia de Covid-19. O vírus encontrou na proteína ACE2 uma porta de entrada fácil para a infec??o da célula hospedeira
29/05/2020 09:13

Uma imagem de Charles Darwin apresenta?Maria Cátira Bortolini no WhatsApp. O naturalista, autor da importante obra?A origem das espécies, dá a introdu??o à conversa que teríamos a seguir: genética e evolu??o biológica. Professora e pesquisadora da UFRGS, doutora em Genética e Biologia Molecular, Cátira liderou um estudo recente envolvendo pesquisadores que s?o ou foram vinculados ao Programa de Pós-Gradua??o em Genética e Biologia Molecular (PPGBM/UFRGS).

A pesquisa, aprovada para publica??o na conceituada revista de circula??o internacional da Sociedade Brasileira de Genética –?Genetics and Molecular Biology (GMB), analisou 70 genomas de mamíferos. A ideia era identificar as varia??es no gene codificador da proteína que o novo coronavírus (SARS-CoV-2) usa para infectar as células do hospedeiro e, assim, ajudar a desvendar o seu papel na infec??o de humanos e no desenvolvimento da doen?a a ele associada, Covid-19.

Os esfor?os da equipe, que mantinha o diálogo constante por meio das tecnologias digitais, come?aram com uma consulta bibliográfica sobre o que estava sendo publicado sobre o genoma do novo coronavírus. A primeira publica??o científica no mundo sobre o assunto foi em janeiro deste ano e, logo em seguida, saíram artigos sobre a proteína do hospedeiro, a ACE2. Essa proteína, cuja fun??o está relacionada ao metabolismo do sistema cardiovascular, é usada de maneira oportunista pelo SARS-CoV-2 para infectar a célula. Ent?o, os olhos desse grupo de trabalho se debru?aram sobre a ACE2. “Selecionamos 70 genomas de outros mamíferos, disponíveis em bancos de dados públicos, analisamos o gene que codifica essa proteína, comparamos com as modifica??es genéticas existentes, fizemos os testes evolutivos para verificar se havia sinal de sele??o natural na história desse gene”, elenca Cátira, esclarecendo as etapas de pesquisa.

Duas contribui??es relevantes s?o fruto deste estudo: a primeira delas mostra que o SARS-CoV-2 utiliza por??es importantes da proteína ACE2 para entrar na célula, e, como as popula??es humanas têm os mesmos aminoácidos em pontos chaves do contato entre SARS-CoV-2 e ACE2, todos os humanos s?o potencialmente suscetíveis a contrair o vírus. O segundo achado aponta que há diferen?as genéticas importantes entre as espécies, o que explicaria porque algumas delas s?o afetadas e outras n?o. “Os humanos, como hospedeiros, mostraram-se? perfeitos para o vírus, ou seja, o SARS-CoV-2 se apoderou de uma proteína humana que facilitava sua entrada nas células e, pela sele??o natural, teve enorme sucesso. Evento que n?o teria ocorrido, de forma t?o fácil em outras espécies, visto as diferen?as em ACE2”, explica Bortolini. Por isso que os animais domésticos n?o teriam tanta facilidade para contrair o vírus como os humanos, por exemplo.

Essa contribui??o científica desperta a aten??o sobre a evolu??o do organismo partindo da análise da proteína ACE2, particularmente 30 sítios de contato com o vírus, que s?o diferentes entre as espécies, mas que n?o apresentam diferen?as entre humanos. De que maneira essa pesquisa pode ajudar? “Nenhuma popula??o humana está livre do vírus, e nós temos visto isso com a pandemia. Porém o fato de n?o termos emergência veterinária com os nossos animais domésticos mostra que os c?es e os gatos têm diferen?a com rela??o a essa proteína (que é a utilizada pelo SARS-CoV-2) ao entrar na célula. Isso pode fazê-los menos suscetíveis à agress?o do vírus oportunista. Precisamos olhar para vários aspectos do problema, e o nosso papel com essa publica??o é ajudar os outros pesquisadores na constru??o do conhecimento”, revela Maria Cátira.

Como já dito, a porta de entrada do novo coronavírus é a proteína ACE2. Entretanto a suscetibilidade à infec??o bem como o desfecho da doen?a, embora estejam ligados a quest?es ambientais conhecidas (isolamento social, acesso a tratamento, etc), também est?o relacionados a outras condi??es, tais como fatores genéticos desconhecidos, a forma como o sistema imunológico individual responde, além das diferentes linhagens do vírus que já circulam. Outro apontamento importante da pesquisadora é que varia??es em outras partes de ACE2 (que n?o est?o nas regi?es da molécula que contém os 30 sítios investigados) também n?o podem ser descartadas como elementos que influenciam a infec??o e desfechos.

Confira a reportagem completa no site do UFRGS Ciência: O salto genético que transformou o novo coronavírus em um especialista em infectar humanos

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O UFRGS Ciência é um portal de divulga??o científica elaborado?pela Secom. Acesse outras reportagens em?http://www.lifetrener.com/secom/ciencia/.

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